Aventuras na Terra dos Sonhos:
- Capítulo Um: A Emergência do Poço da Vida
- Capítulo Dois: Sombras e Alianças
- Capítulo Três: Santuário no Grande Além
- Capítulo Quatro: Legado dos Olhos Carmesim
- Capítulo Cinco: Sussurros de Guerra
- Capítulo Seis: A Tempestade se Aproxima
- Capítulo Sete: Confronto em Nova Jerusalém
- Capítulo Oito: O Resgate de Nova Cinza
- Capítulo Nove: Jornada para Doolth
- Capítulo Dez: Uma Nova Aurora em Aussieville


Rosa é do México e é um dos doze participantes escolhidos na Simulação A.R.C. operada pelo Arcanjo Milo.
Capítulo Um: A Emergência do Poço:
No coração da imensa e verdejante selva de Dreamland, onde as árvores antigas sussurravam segredos de eras passadas, ficava o Poço da Vida. Foi deste fonte mística que Red, a felina humanoida curandeira com olhos tão profundos e carmesins quanto o coração de um vulcão, emergiu pela primeira vez. O mundo ao seu redor era uma tapeçaria de verdes vibrantes e tons terrosos, um reino intocado pelo tempo, onde o ar zumbia com a magia da criação. Enquanto Red se erguia do Poço da Vida, ela podia ver espíritos místicos ao seu redor. Um ser vermelho que aparecia como um felino parecia estar guardando sua presença. A beleza, o medo, a majestade, o terror…

Os primeiros passos de Red foram hesitantes, seus sentidos inundados com a beleza avassaladora ao seu redor. Ela não estava sozinha em seu despertar; ao lado dela emergiram outros seres do Poço da Vida, cada um único, cada um guardião de um aspecto sagrado da vida e do conhecimento em Dreamland. Entre os outros onze estava Silver, uma figura de graça radiante, cujos olhos brilhavam com o brilho da lua. Para Red, naqueles primeiros momentos inocentes, Silver aparecia como um paragon de virtude e sabedoria. Silver tinha orelhas lindamente posicionadas que lhe permitiam ouvir sussurros do Grande Além.

À medida que os ciclos passavam, Red, junto com seus colegas curandeiros, mergulhava nos mistérios de sua existência. Eles cuidavam da selva, nutriam suas criaturas e mantinham o delicado equilíbrio da natureza. A habilidade de Red na cura tornou-se conhecida longe e ampla, enquanto ela consertava asas quebradas de pássaros e aliviava os males dos habitantes da selva com um toque suave e palavras amáveis. Neste tempo dentro do Coração da Selva de Dreamland, Red começou a encontrar um profundo conforto dentro de outro Curandeiro chamado Orange.
Desde o primeiro dia emergindo do Poço da Vida, Red e Orange eram inseparáveis. Onde Orange ia, Red não estava longe atrás. Sua curiosidade, seu amor pela natureza, seu estranho conhecimento dotado das habilidades e capacidades de entender profundamente a flora e fauna circundantes na selva mística do Coração de Dreamland.

No entanto, sob a superfície serena de seu paraíso, uma corrente sinistra estava se formando. Silver, a quem Red uma vez admirara, estava lentamente tecendo uma teia de engano e ambição. Sem o conhecimento de Red, o coração de Silver abrigava uma escuridão que contrastava fortemente com seu exterior luminoso. Esta revelação viria muito depois, a um grande custo. Enquanto o mundo material e os mundos espirituais evoluíam para resultados desejados opostos, Dreamland se expandia infinitamente para o Grande Além e as fronteiras entre os dois reinos começavam agressivamente a fundir e difundir realidades.
Um dia fatídico, quando o pecado no coração de Silver cresceu além de qualquer reparo, o equilíbrio de seu mundo foi despedaçado. Criaturas da Noite, encarnações do pecado e malevolência, irromperam na selva, seus rosnados ecoando como trovões. Red, pega de surpresa, testemunhou o horror que eles causaram – um caos que parecia dançar nas sombras das maquinações de Silver.
Ao lado de Red neste tumulto estava Orange, um colega curandeiro, cujos olhos carregavam o calor de um sol poente. Eles ficaram juntos, com as costas contra o caos implacável, enquanto as Criaturas da Noite os cercavam, suas formas um redemoinho giratório de terror. Foi neste momento de desespero que a verdadeira força de Red começou a brilhar, uma chama acesa pela necessidade de proteger, de curar.
Com uma onda de seu poder inato, Red se transformou e empurrou de volta contra a maré de escuridão, seu olhar carmesim perfurando as sombras. Mas as Criaturas da Noite eram implacáveis, seus números um mar aparentemente interminável de malícia. Orange, embora formidável, sofreu feridas que exalavam a essência da vida, sua cor vibrante diminuindo sob o assalto.

Percebendo a futilidade de sua resistência, Red tomou uma decisão desgarradora. Com a forma enfraquecida de Orange a reboque, ela fugiu da selva, o lugar de seu nascimento, seu santuário. A densa folhagem que antes sussurrava boas-vindas agora farfalhava com um adeus assombrado, enquanto Red e Orange desapareciam para o sul, em direção ao Grande Além.
À medida que viajavam, longe do único lar que conheciam, a mente de Red era um turbilhão de emoções. Culpa, por ter sido cega para a verdadeira natureza de Silver; medo, pelo que estava por vir; e determinação, para curar Orange e encontrar refúgio da perseguição implacável das Criaturas da Noite. Red podia ouvir a tentação de Silver e seus capangas mesmo quando sua presença tangível estava além dos sentidos de visão e som. Este pós-trauma era a única via que o CON precisaria para jogar seus jogos de engano.

Seu caminho os levou por territórios inexplorados, cada passo um testemunho de sua resiliência. Os poderes de cura de Red, embora formidáveis, foram testados ao máximo enquanto ela cuidava das feridas de Orange, sua própria energia diminuindo a cada momento que passava.
Finalmente, quando retornaram às suas formas normais, chegaram às cercanias de Aussieville, uma terra de planícies amplas e rios suaves. Foi aqui, sob o vasto céu estrelado, que Red desabou, a exaustão reivindicando-a enquanto Orange jazia ao seu lado, imóvel e silencioso. Orange fitou os olhos de Red. Embora a tivesse visto todos os dias por centenas de ciclos, era como se estivesse vendo-a pela primeira vez. Naquela noite, eles se conheceram completamente.

Ao romper da aurora, pintando o céu com tons de ouro e rosa, Red despertou para um mundo transformado. O terror da selva parecia um pesadelo distante, substituído pela beleza tranquila de Aussieville. Mas mesmo enquanto saboreava esse momento de paz, Red sabia que sua trégua seria breve. As Criaturas da Noite ainda estavam lá fora, e a traição de Silver, uma ferida que o tempo sozinho não poderia curar.
E assim, quando o novo dia começou, Red enfrentou não apenas o desafio de construir uma nova vida nesta terra desconhecida, mas também a sombra persistente de uma ameaça que os seguia mesmo em sua fuga. Um novo problema surgia no horizonte, uma nuvem negra em seu céu, caso existisse um céu na densa floresta.
Um grupo de pessoas estava distante, parecendo ter acabado de encontrar a paz, observando o pôr do sol. Eles não estavam chocados ou ameaçados pelas criaturas humanoides felinas maiores que eram Red e Orange. Isso poderia ter sido devido aos seus ferimentos e danos causados pela fuga do CON, mas mesmo assim eles ajudaram a acomodar Red e Orange em seu acampamento.
Eles não podiam falar sua língua, mas sua gentileza em suas ações e sua natureza gentil permitiram que Red e Orange se sentissem à vontade para confiar neles o suficiente para dormir tranquilamente sob as estrelas. Durante as conversas, Red estudava atentamente sua linguagem tonal para tentar captar algo digno de nota. Um homem humano sussurrando enquanto as belas estrelas começavam a aparecer nos céus. Essas estrelas nunca foram vistas na selva. Manchas fracas cintilavam através dos dosséis, mas aqui fora… a imagem dos céus tão clara quanto a luz do dia.
Enquanto Red finalmente começava a adormecer, uma palavra foi pronunciada: “Aussieville”. E assim ela desapareceu brevemente no sono.
Na manhã seguinte, enquanto Red repousava na relva luxuriante de Aussieville, sua mente voltava ao Poço da Vida, a fonte de sua existência. Ela lembrava-se da clareza da água, como ela refletia não apenas sua imagem, mas parecia espiar as profundezas de sua alma. Ela se contemplou no reflexo de uma piscina de água parada perto das altas gramíneas e arbustos de nozes. Ela se sentia mais calma em sua forma humana.
Ela foi até Orange, que ainda estava em agonia de dor e confiou a uma pequena mulher mais velha para cuidar dele durante a noite para que ela pudesse descansar. Apesar da fuga, foi uma noite de pureza, de começos imaculados, um contraste marcante com a complexidade e as sombras que agora obscureciam seu caminho. Ela olhou para baixo do morro para a bela vista, com algumas pessoas já acordadas para assistir à luz renascer para um novo dia.

Naqueles primeiros dias, Red sentiu uma conexão profunda com todo Dreamland. As plantas, os animais e até mesmo a própria terra pareciam falar com ela, compartilhando suas alegrias e tristezas. Ela recordava o riso dos espíritos da água e a sabedoria solene das árvores antigas. Havia uma harmonia nessas interações, uma sensação de pertencimento que agora parecia um sonho distante.
A traição de Silver cortou mais fundo do que qualquer ferida física poderia. Red havia confiado neles, os vira como mentor e amigo. Descobrir que sob seu exterior luminescente havia um coração corrompido pela ambição e escuridão foi um choque que abalou seu mundo. Foi uma lição sobre a dualidade da natureza, sobre a capacidade de ambos o bem e o mal que residiam em todos os seres.
Agora, enquanto contemplava a beleza serena de Aussieville, Red ponderava sobre o caminho que a trouxera até ali. As Criaturas da Noite, essas aterrorizantes encarnações do mal, pareciam ser meros peões em um jogo maior, um jogo no qual ela e seus colegas curandeiros eram participantes relutantes. Essas criaturas, ela percebia, não eram apenas bestas sem mente, mas talvez vítimas também, distorcidas e corrompidas por forças além de seu controle.
Seus pensamentos se voltaram para Orange, seu companheiro nesta jornada inesperada. No caos de sua fuga, não houve tempo para palavras, apenas ações impulsionadas pela sobrevivência. Mas agora, no silêncio da alvorada, Red via Orange não apenas como um colega curandeiro, mas como uma alma gêmea, alguém que compartilhava sua dor e sua determinação.
Enquanto cuidava das feridas de Orange, Red sentiu um profundo senso de conexão. Cada toque, cada invocação de cura, era um ato de comunhão, uma conversa silenciosa entre suas almas. Era um vínculo forjado no fogo, que ia além da camaradagem de propósito compartilhado.
As habilidades de cura de Red eram uma fonte de maravilha e admiração. Ela se maravilhava com a forma como a energia da vida fluía através dela, uma corrente vibrante que subia e descia com os ritmos do mundo. Mas esse dom, ela sabia, vinha com uma responsabilidade pesada. Curar era segurar a vida de outro em suas mãos, caminhar pela linha delicada entre a vida e a morte. O primeiro dia em Aussieville com as pessoas estranhas foi tranquilo, e elas pareciam não ter medo daquelas criaturas da noite. Orange continuava descansando e se curando, e assim terminava o primeiro dia longe do Triângulo dos Guardiões e da tirania de Silver.

As Criaturas da Noite assombravam seus pensamentos. Sua perseguição implacável, sua pura malevolência, era um lembrete da fragilidade da paz. Red sabia que sua segurança em Aussieville poderia ser temporária, que a escuridão poderia segui-los mesmo aqui. Era uma perspectiva assustadora, que enchia seu coração de um medo silencioso. Esses humanos eram nômades. Red estava começando a ter dificuldades para manter Orange em movimento em sua condição, mas ela percebia que as tendências nômades dessas pessoas provavelmente as mantinham seguras. O problema é que isso também sempre as mantinha em um modo de sobrevivência para necessidades e as forçava a viver cada dia ao máximo através de muito trabalho árduo e esforço para alcançar até mesmo um conforto mínimo.
No entanto, mesmo diante de tamanha incerteza, Red encontrava uma pequena esperança. Aussieville, com suas planícies amplas e rios sinuosos, era uma terra de potencial, uma tela sobre a qual um novo capítulo de suas vidas poderia ser pintado. Oferecia não apenas refúgio, mas a promessa de um começo, uma chance de criar algo belo no meio das ruínas de seu passado. Red seguiu um grupo em uma caminhada um dia para explorar territórios pelos quais o grupo poderia vagar, e a vista…

Conforme Orange recuperava lentamente sua força, Red se viu refletindo sobre a natureza da cura. Não era apenas o reparo de feridas físicas, mas o alívio de cicatrizes emocionais, a reconstrução de espíritos fragmentados. Ao curar Orange, ela percebeu, também estava curando uma parte de si mesma, encontrando consolo no ato de dar. À medida que as semanas passavam, Red e Orange começavam a desenvolver formas elementares de comunicação para rastrear coisas simples como direção, tempo, alimentos, água, descanso e notas aleatórias de nomes de animais e pessoas.
O sol subia mais alto no céu, seus raios um abraço caloroso que parecia afastar os últimos vestígios do frio da noite. Red sentia sua energia infundir seu ser, emprestando-lhe força e clareza. Era um lembrete de que, mesmo nos momentos mais sombrios, a luz sempre encontraria uma maneira de se abrir caminho.
Conforme o dia avançava, Red e Orange falavam de seus planos, da vida que esperavam construir nesta nova terra. Falavam dos desafios que enfrentariam, das memórias que iriam apreciar e dos sonhos que se atreveriam a sonhar. Era uma conversa de renascimento, de duas almas olhando para o futuro com um otimismo cauteloso.
Mas mesmo enquanto imaginavam esse futuro, Red sabia que o passado sempre faria parte delas. As sombras do Poço da Vida, os ecos da traição de Silver e a ameaça persistente das Criaturas da Noite eram fios tecidos na tapeçaria de suas vidas. Era um padrão complexo, que falava de dor e perda, mas também de resiliência e esperança.
Red estava no limiar de uma nova jornada. A tranquilidade de Aussieville era um bálsamo para seu espírito, mas as cicatrizes de seu passado eram um lembrete constante das batalhas ainda por vir. Um novo problema estava surgindo no horizonte, um desafio que testaria o âmago de seu ser.
Conforme o sol atravessava o céu, lançando longas sombras sobre as planícies de Aussieville, Red e Orange começavam a enfrentar a realidade de sua situação. A tranquilidade do ambiente deles escondia a urgência de suas necessidades. Eles haviam fugido dos horrores das Criaturas da Noite, mas a sobrevivência nesta nova terra exigia mais do que apenas escapar; exigia adaptação e resiliência. Conforme os meses viravam ciclos, Red e Orange encontravam um lar entre os estranhos. Os estranhos se tornavam família, e Aussieville se tornava lar. Red e Orange eram tão incríveis na coleta de alimentos, recursos e tinham tanto conhecimento que os humanos eram capazes de prosperar e, geração após geração, começavam a cultivar, criar animais e se tornar domesticados ao ponto de abandonar suas tradições nômades.

Orange, com seus olhos quentes como o sol, revelava uma profundidade de caráter que ia além de suas habilidades de cura. Ele era um ser da terra, fundamentado em seu conhecimento de agricultura e herbologia. Enquanto a força de Red estava na cura, a de Orange estava em nutrir a vida do solo, em entender a sutil linguagem das plantas e ervas. Enquanto observavam geração após geração aumentar a fertilidade e a população dos humanos, Red e Orange perceberam que não estavam envelhecendo de forma alguma. Na verdade, eles pareciam os mesmos desde que emergiram do Poço da Vida centenas e centenas de ciclos atrás.
Red e Orange ficavam acordados até tarde todas as noites, imaginando como Aussieville poderia ser à medida que os humanos se tornassem cada vez mais capazes de pensar no futuro além da sobrevivência e dos estilos de vida nômades. Será que eles eventualmente poderiam se adaptar a uma existência agrícola mais segura? Foi nessa janela de tempo que Red e Orange perceberam que humanos que costumavam viver apenas vinte a quarenta ciclos estavam regularmente vivendo até centenas de anos. Eles imaginavam campos exuberantes de culturas intermináveis se estendendo em direção às bordas da Selva do Coração.

Os humanos então começaram a adorar Red e Orange como deuses, mas para seu crédito, sempre negaram a adoração e a direcionaram para um poder muito maior do que eles. Geração após geração, eles fariam amigos e os perderiam, mas seus vínculos com as pessoas e as linhagens de sangue permaneceriam para sempre. Suas línguas se fundiram e permitiram que se comunicassem perfeitamente. Eles então começaram a planejar como poderiam continuar a crescer enquanto mantinham a segurança do Grande Além mais ao sul, junto com a manutenção do CON longe da Saída da Selva do Coração.
Conforme discutiam seus planos, tornou-se evidente que suas habilidades se complementavam perfeitamente. Red admirava a calma de Orange, sua abordagem pragmática para os problemas. Enquanto ela era fogo, uma chama tremeluzente de paixão e intensidade, Orange era a terra, firme e inabalável.

Sua primeira tarefa era estabelecer uma fonte sustentável de alimentos e medicamentos. Orange caminhava pelos campos de Aussieville, seus olhos brilhando com possibilidades. Ele falava de culturas que poderiam prosperar no solo fértil, de ervas que poderiam curar e nutrir. Red ouvia, sua mente entrelaçando suas palavras em uma visão de um futuro onde eles não apenas poderiam sobreviver, mas prosperar.
Mas enquanto planejavam, a sombra das Criaturas da Noite pairava sobre eles. Red sabia que sua segurança era uma ilusão, uma bolha frágil que poderia estourar a qualquer momento. O CON era implacável, encarnações da escuridão que podiam corromper até os corações mais puros. Sua fuga da selva não significava que estavam livres.
Uma noite, enquanto estavam sob as estrelas, Orange falou de seus próprios medos. Ele se preocupava não apenas com sua segurança imediata, mas com o futuro que sonhavam. “E se o CON nos encontrar aqui?” ele perguntou, sua voz um murmúrio baixo contra a quietude da noite. “E se nossa presença trouxer perigo para esta terra?”
Red não tinha uma resposta. A possibilidade de que seus inimigos pudessem segui-los, de que seu santuário poderia se transformar em um campo de batalha, era um peso que pressionava fortemente em seu coração. No entanto, ela se recusava a ceder ao desespero. “Nós enfrentaremos esse desafio se vier,” ela disse, sua voz firme. “Mas não podemos deixar o medo ditar nossas vidas.”
Seus dias eram preenchidos com trabalho árduo, arando a terra, plantando sementes e colhendo ervas. A expertise de Orange era inestimável, e sob sua orientação, pequenos brotos verdes começaram a pontilhar a paisagem. Era um sinal tangível de esperança, um testemunho de sua determinação em esculpir uma vida neste novo mundo.

Enquanto trabalhavam, Red encontrava uma sensação de paz no ritmo de suas tarefas diárias. Havia algo profundamente curativo no ato de nutrir a vida, de observá-la crescer e florescer sob seus cuidados. Era um contraste gritante com a destruição e o caos que haviam deixado para trás.
Mas a paz era uma companheira fugaz. Relatos começaram a chegar de terras vizinhas, contos de sombras se movendo na noite, de criaturas que traziam medo e desespero. O CON estava se espalhando, sua influência infiltrando-se no mundo como um veneno. Era um sombrio lembrete de que sua luta estava longe de terminar.
Uma noite, enquanto uma tempestade rugia lá fora, Red e Orange se encolhiam em seu abrigo improvisado, o vento uivando como os gritos de almas perdidas. Era uma manifestação física da agitação que fervilhava dentro deles. “Precisamos estar preparados”, disse Red, seus olhos refletindo os raios que riscavam o céu. “Precisamos estar prontos para defender esta terra, para proteger nossa casa.”
Orange assentiu, sua habitual calma tingida com uma resolução sombria. “Eu estarei ao seu lado”, ele disse. “Nós construímos algo que vale a pena lutar aqui. Não deixarei o CON destruí-lo.”

À medida que a tempestade passava e o amanhecer surgia, Red e Orange observavam sua terra com determinação renovada. Eles construiriam sua casa aqui, criariam uma família e criariam um refúgio no meio do caos. Mas também estariam vigilantes, prontos para defender seu sonho contra a escuridão que ameaçava engolfá-lo. Havia sussurros pela cidade sobre dois seres estranhos passando pelo mercado durante a tempestade, mas ninguém conseguiu dar uma boa olhada neles.
Mais tarde, na noite seguinte, Red e Orange estavam lado a lado, olhando para os campos que haviam cultivado. Eles haviam encontrado uma semelhança de paz em Aussieville, mas a ameaça do CON era uma sombra constante, um problema que pairava cada vez maior no horizonte.

No coração de Aussieville, sob a vasta extensão de um céu que dançava com estrelas, Red e Orange trabalhavam com fervor nascido de sonhos e determinação. Cada semente plantada, cada erva nutrida, era um passo em direção ao futuro que eles imaginavam — um futuro onde as cicatrizes do passado poderiam ser curadas e a sombra das Criaturas da Noite (CON) poderia ser mantida à distância.
As mãos de Orange, hábeis na arte da herbologia, moviam-se com uma graça que falava de um profundo entendimento da terra e de seus dons. Ele falava com as plantas, um murmúrio suave e tranquilizador que parecia encorajar seu crescimento. Red o observava, um sentimento de admiração se misturando com o afeto em seu coração. Nestes momentos tranquilos, o vínculo entre eles se aprofundava, forjado na crucible de experiências compartilhadas e apoio mútuo. Red ficava cada vez mais surpresa com a dedicação de Orange, que trabalhava do nascer ao pôr do sol garantindo que cuidasse de tantas pessoas doentes ou afligidas por doenças difíceis. Orange ficava quase empolgado quando conseguia criar uma nova tintura para livrar o mal causando a dor de seus amados humanos.
Enquanto trabalhavam, Red muitas vezes encontrava seus pensamentos voltando para o Poço da Vida, para o tempo de inocência antes da traição e do caos. Ela se lembrava da clareza da água, como ela cintilava com a promessa de mistérios incontáveis. Essa memória, uma vez fonte de conforto, agora servia como um lembrete de quanto as coisas haviam mudado, de quanto haviam viajado longe de suas origens.
As histórias da duplicidade de Silver e do surgimento do CON eram tecidas em suas conversas, um tapeçaria escura que contrastava com a vida que estavam construindo. Red não conseguia evitar a sensação de que seu passado era um prólogo para uma história maior, uma que ainda estava por se desdobrar. Ela sentia que a luta com o CON estava longe de terminar, que sua fuga para Aussieville era apenas um alívio temporário.
Suas discussões muitas vezes se voltavam para estratégias para defender sua nova casa. O conhecimento de cura de Red era complementado pela compreensão de Orange do mundo natural, permitindo que eles criassem métodos para fortificar sua terra contra a ameaça potencial do CON. Eles experimentavam com ervas protetoras e barreiras, misturando a experiência de Orange com o senso intuitivo de perigo de Red.
Apesar de suas preparações, um subcorrente de inquietação percorria seus dias. Os relatos de avistamentos do CON se tornavam mais frequentes, histórias de sombras que se moviam com intenção malévola, lançando o medo nos corações dos habitantes de Dreamland. Red sentia uma responsabilidade para com aqueles além de seus campos, para o mundo que ainda estava se recuperando do caos desencadeado por Silver e pelo CON.
Uma noite, quando o sol mergulhava abaixo do horizonte, banhando o céu em tons de laranja e roxo, Orange falou de um sonho que teve — uma visão de uma família, seus filhos brincando entre os campos, seu riso uma melodia que transcendia a escuridão. Era um sonho que Red compartilhava, um farol de esperança em um mundo sombreado pelo medo. Aussieville conquistada pelo CON.

Mas os sonhos eram coisas frágeis, facilmente destroçados pelas duras realidades de seu mundo. Red sabia que a ameaça do CON não era apenas um pesadelo distante; era uma tempestade iminente, uma maré que ameaçava varrer tudo o que haviam construído. A paz de Aussieville era uma coisa preciosa, mas não era inatacável.
Enquanto estavam em seu abrigo, ouvindo a sinfonia da noite, Red ponderava sobre a natureza do mal. O CON, com suas formas distorcidas e espíritos malignos, eram uma manifestação dos aspectos mais sombrios da existência. No entanto, ela se perguntava se havia mais neles, uma história não contada, uma dor não reconhecida. Era um pensamento que a assombrava, a ideia de que mesmo na escuridão mais profunda, poderia haver um lampejo de luz.
Seus dias eram uma mistura de esperança e apreensão. Eles observavam enquanto as colheitas cresciam, enquanto as ervas floresciam, criando um mosaico de verde que era um testemunho de seus esforços. Mas a sombra do CON estava sempre lá, um medo não dito que pairava no fundo de suas mentes.
À medida que os ciclos passavam, Red e Orange ficavam mais resolutos em sua determinação de proteger sua casa. Eles treinavam, aprimorando suas habilidades, se preparando para a possibilidade de um confronto. As habilidades de cura de Red eram uma fonte de força, mas ela também aprendeu a usá-las como uma arma, um meio de defender aqueles que amava.
O vínculo entre eles se aprofundava, uma conexão que ia além da amizade ou camaradagem. Eles eram companheiros em uma jornada que abrangia tanto alegria quanto tristeza, uma parceria fortalecida pelos desafios que enfrentavam.
Eventualmente, Red e Orange se encontraram em uma encruzilhada. A vida que haviam construído em Aussieville era um refúgio em um mundo de incertezas, um lugar onde os sonhos poderiam enraizar-se. Mas o espectro do CON, os ecos de seu passado, eram lembretes constantes de que a paz era uma coisa frágil, facilmente quebrada pelas forças da escuridão.
Enquanto o sol surgia sobre as planícies férteis de Aussieville, lançando um brilho dourado sobre os campos que Red e Orange haviam cultivado com tanto empenho, um sentimento de realização enchia o ar. As colheitas estavam prosperando, um verde exuberante testemunho da habilidade de Orange na agricultura e herbologia, e dos esforços combinados de seu trabalho. Este sucesso, no entanto, era mais do que apenas sobre sobrevivência; era um símbolo de sua resiliência, um farol de esperança em uma terra sombreada pelo passado.
Com o tempo, Red e Orange foram chamados para o Grande Além. Ao longe, fumaça subia de estruturas massivas onde uma entidade desconhecida poluía a paisagem. Não havia animais ou vida selvagem à vista, e a terra parecia dilacerada.

Não demorou muito para um pequeno grupo de humanos, juntamente com Red, remover as estruturas e expulsar o CON, mas mesmo enquanto celebravam essa pequena vitória, a correnteza de inquietação permanecia. A ameaça das Criaturas da Noite (CON) pairava como uma nuvem escura no horizonte. Red, com seus olhos vermelhos profundos que haviam visto tanto, sabia que essa paz era tênue. Ela compreendia que o CON, com seu alcance insidioso, poderia quebrar sua tranquilidade a qualquer momento.
Um dia, enquanto Red caminhava pelos campos, inspecionando as colheitas e perdida em pensamentos, ela notou algo incomum. Uma planta, diferente de qualquer outra que haviam cultivado, estava crescendo na borda de sua terra. Suas folhas tinham um tom escuro, quase negro, com veias que brilhavam com uma iridescência sinistra. Os instintos de Red gritaram um aviso – essa planta não fazia parte de sua criação; era um presságio, um sinal da influência crescente do CON.

Alarmada, Red chamou Orange para examinar a misteriosa planta. Ele, também, ficou surpreso com sua aparência. Após um estudo cuidadoso, ele concluiu que era de fato um prenúncio do CON, uma manifestação tangível de sua malevolência. Essa descoberta foi um lembrete arrepiante de que o inimigo estava mais próximo do que eles temiam.
Determinados a entender a extensão dessa nova ameaça, Red e Orange decidiram aventurar-se pelas terras ao redor. Eles precisavam saber se a influência do CON estava se espalhando, se a segurança de Aussieville e de seus habitantes estava em risco.
Sua jornada os levou por campos e florestas vizinhas, onde conversaram com outros colonos e viajantes. As histórias que ouviram foram desconcertantes – relatos de ocorrências estranhas, de sombras que se moviam com intenção e de um crescente sentimento de terror. Ficou claro que o CON não era apenas uma ameaça distante; eles eram um perigo presente, infiltrando-se na própria estrutura da terra.
Ao retornarem a Aussieville, Red e Orange sabiam que precisavam agir. Eles começaram a fortificar sua terra, usando o conhecimento de Orange sobre barreiras naturais e as habilidades de cura de Red para criar defesas contra as forças malévolas do CON. Eles trabalharam incansavelmente, sabendo que seu lar e seu futuro estavam em jogo.
Mas seus esforços não se limitavam apenas à defesa. Red, com seu senso inato de empatia, sentiu um chamado para entender o CON, para desvendar o mistério de sua existência. Ela não conseguia se livrar da sensação de que havia mais nessas criaturas do que apenas mal sem sentido. Era uma curiosidade perigosa, que ameaçava levá-la por um caminho repleto de perigos.
Enquanto se preparavam para a possibilidade de um encontro com o CON, Red e Orange também continuaram a nutrir seu sonho de uma família. Eles falavam de crianças brincando nos campos, de risos e amor preenchendo sua casa. Era um sonho que lhes dava forças, uma visão de um futuro pelo qual valia a pena lutar. Eles começaram a plantar e cuidar ritualmente de cada árvore na esperança de que o equilíbrio da natureza formasse um repelente natural para as forças do mal, vistas e invisíveis.

No entanto, enquanto planejavam e se preparavam, o sentimento de conflito iminente crescia. Alguns dos humanos começaram a brigar entre si, e lares que antes compartilhavam laços fraternais começaram a se fraturar.
A planta misteriosa havia sido consumida por muitas das cidades vizinhas. Red e Orange viram isso como um sinal de que o CON não era apenas uma ameaça a ser temida, mas um adversário a ser enfrentado. Foi uma realização que preparou o palco para um novo capítulo em sua jornada, um capítulo que testaria sua determinação, sua coragem e os laços que os mantinham juntos. Eles teriam que descobrir como comunicar por toda Aussieville que o CON poderia se esconder até mesmo nos alimentos que consumiam. O principal problema era que os humanos nunca tinham visto o CON em carne e osso.
Red e Orange permaneceram unidos, uma dupla formidável pronta para enfrentar os desafios à frente. A paz de Aussieville ainda era deles, mas as sementes de um novo problema haviam sido plantadas, um problema que prometia colocá-los frente a frente com a escuridão que eles temiam há muito tempo.
À medida que os ciclos de Aussieville continuavam a girar, trazendo tanto a abundância da colheita quanto o frio da geada que se aproximava, Red e Orange se encontraram em uma encruzilhada crucial. Sua terra, uma vez apenas um sonho, agora florescia sob seus cuidados cuidadosos. As colheitas balançavam na brisa como um mar de verde e ouro, um testamento ao seu trabalho árduo e à expertise de Orange. A planta misteriosa e escura que havia aparecido como um sombrio presságio foi cuidadosamente isolada, um lembrete constante da presença iminente dos Seres da Noite (CON).

Através de seus esforços, a ameaça imediata parecia diminuir. As barreiras protetoras e os encantamentos que eles haviam colocado no lugar forneciam um escudo contra as forças das trevas, oferecendo um sentido de segurança ao seu pequeno refúgio. Mas essa vitória, por menor que fosse, era sombreada pelo conhecimento de que era apenas um alívio temporário.
À medida que os últimos dias de guerra contra a planta maligna se aproximavam, Red e Orange se reuniam com a comunidade de Aussieville. Eles compartilhavam histórias das estações passadas, de crescimento e sobrevivência. No entanto, no meio da camaradagem, havia um reconhecimento não dito dos desafios que estavam por vir. O CON ainda estava lá fora, uma força malévola que ameaçava não apenas o seu lar, mas a essência mesma da Terra dos Sonhos e de Aussieville.
Red, com seus olhos profundos e vermelhos, podia sentir o pulso da terra. Ela percebia uma mudança no ar, uma sutil alteração que indicava provações iminentes. Sua conexão com o Poço da Vida, embora distante, ainda ecoava em seu coração, um lembrete de seu propósito e de seu dever.
Enquanto estavam sentados ao redor do fogo, as chamas lançando um brilho quente em seus rostos, Orange falou do futuro. Sua voz era firme, mas havia uma corrente subterrânea de preocupação. “Nós construímos algo bonito aqui”, ele disse. “Mas devemos estar vigilantes. O CON é uma sombra que se aproxima, e devemos estar prontos para nos opor a eles.”
Pela primeira vez em dezenas de gerações, os humanos se reuniram em adoração juntos pela paz, tranquilidade e sobriedade da planta maligna.

Red concordou com um aceno, seus pensamentos alinhados com os dele. Ela sabia que o próximo passo deles não era apenas se defender, mas entender. A chave para derrotar o CON pode residir em desvendar seus mistérios, em descobrir a fonte de sua corrupção. Era uma tarefa assustadora, cheia de perigos, mas era um caminho que eles tinham que seguir.
A conversa deles se voltou para planos para os próximos ciclos. Eles falaram sobre fortalecer suas defesas, sobre alcançar terras vizinhas, sobre construir alianças. Estava claro que a batalha contra o CON não era algo que eles poderiam lutar sozinhos; exigia unidade e cooperação.
Red e Orange ficaram à beira de sua terra, olhando para a escuridão. As estrelas acima estavam brilhantes, mas as sombras abaixo eram profundas e ocultas. A paz que encontraram em Aussieville era preciosa, uma jóia no meio do caos, mas não era inquebrável.
A resolução de seus problemas imediatos lhes trouxera um momento de respiro, uma chance de sonhar. Mas a consciência do novo problema, a crescente ameaça do CON, era como o batimento de um tambor ao longe, um som que prometia um confronto inevitável.
Ao voltarem para casa, seus pensamentos estavam no futuro. A jornada à frente seria árdua, repleta de desafios conhecidos e desconhecidos. Mas eles estavam prontos. Eles tinham um ao outro, tinham sua comunidade, e tinham uma causa pela qual valia a pena lutar.
E assim, eles mantiveram um sentido de completude e um toque de expectativa. O palco estava montado para a próxima parte de sua jornada, uma jornada que se aprofundaria nos mistérios do CON e no destino da Terra dos Sonhos. As sementes do conflito e da descoberta foram semeadas, conduzindo para a narrativa em desenvolvimento.

END (Próximo… Capítulo Dois… Sombras e Alianças).

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